O Botânico da Universidade de Lisboa. Vozes, olhares, memoraçoes
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- - 05.02.2007 | 1 réactions | #link | rss
[...] ambicionei uma madeira preclara e santa. Topsius aconselhava o cedro do Líbano - tão belo que, por ele, Salomão fez aliança com Hirão, Rei de Tiro. A Reliquia. Eça.
- - 02.01.2007 | 0 réactions | #link | rss
- - 25.12.2006 | 2 réactions | #link | rss

[...] Foi por iniciativa do conde de Ficalho que Jules Daveau veio para Portugal onde viveu de 1876 a 1893, com o encargo de organizar o “arboretum” do Jardim Botânico. Precedera-o o alemão Goeze, que apenas esteve ao serviço da Escola Politécnica dois anos: a ele se deve principalmente o arranjo do tabuleiro superior. Jules Daveau aproveitou admiravelmente o declive do terreno, que torna esse Jardim tão atraente. Vivendo numa travessa paralela a rua da Escola Politécnica ai me refugiava, no tempo soalheiro do inverno ou nas sombras espessas do verão, para estudar, enquanto freqüentei o liceu Passos Manuel e as Faculdades  de Letras e Ciências no mesmo bairro. Quando aquela se mudou, atravessava-o para tomar, na Avenida, o autocarro que me deixava perto da Cidade Universitária. […]
As obras de Jules Daveau eram-me familiares desde que, há 50 anos, me senti atraído pela Arrabida, a que havia de dedicar a minha modesta tese de doutoramento. Impressionaram-me, nos seus trabalhos, dois caracteres comuns aos geógrafos: o sentido da paisagem, de que a vegetação é porventura o elemento mais significativo, e o da distribuição. Jules Daveau, ampliando muito algumas contribuições anteriores dos alemães Link e Willkom e do lente de Botânica da Universidade de Coimbra, Julio Henriques, lançou os fundamentos da Geografia da vegetação portuguesa em estudos que não perderam actualidade.
Deu-me no goto encontrar o nome de Suzanne Daveau numa jovem professora de  Universidade de Dakar, participante, como eu, numa das excursões do Congresso Internacional de Geografia que se celebrou em Stockholm em 1960; vim assim a saber que era sobrinha-neta de Jules Daveau mas nada até então a atraira a Portugal: os seus estudos tinham-se desenvolvido no Jura e na Mauritânia. Era, como eu, geógrafa exploradora, encantada com o mundo tropical e formada numa disciplina científica muito afim a minha (os seus mestres foram discípulos dos meus). Muito longe estava de supor que os nossos destinos científicos e humanos se haviam de entrelaçar. Por esta razão, a actual professora de Geografia da Universidade de Lisboa fixou-se em Portugal em 1965, onde já fizera comigo várias excursões, logo começando estudos de Geomorfologia e de Climatologia, aprendendo português para ensinar e redigir parte dos seus trabalhos. Foi em português por tanto que, depois da introdução do professor Pinto Lopes, situando brilhantemente Jules Daveau na linha científica da Escola Politécnica, Suzanne Daveau evocou a vida e as  obras geográficas de um parente que não chegou a conhecer, mas era, numa família de bancários, droguistas e outras profissões da pequena burguesia, a figura de relevo, correndo que o chamara a Portugal o próprio rei, por intermédio da rainha D. Amélia de Bourbon. Esta lenda desfez-se no estudo atento da sua biografia. D. Carlos sentiu-se mais atraído pela Oceanografia e pela Zoologia e teve ao seu serviço um zoólogo suíço, Girard. Vivamente interessado por todas as Ciências Naturais, é provável que tenha contactado com o ilustre botânico: um retrato dele mostra-o com duas condecorações francesas e três portuguesas, que naqueles tempos não se reservavam apenas a políticos e militares, premiando também a munificência régia os que se dedicavam ao progresso da Ciência.
Jules Daveau fez-se por si próprio, depois de estudos elementares, no admirável ambiente do Jardin des Plantes, onde se praticam todos os ramos da História Natural; quando regressou de Portugal foi trabalhar num dos principais centros de estudos botânicos, no famoso Jardim Botânico e herbário da Universidade de Montpellier, sob o impulso do grande Flahault que, mais tarde, lhe dedicou uma notícia necrológica comovida e altamente elogiosa.
A obra botânica de Jules Daveau foi analisada com toda a proficiência pelo Engenheiro A.R. Pinto da Silva, da Estação Agronômica Nacional, com toda a autoridade que lhe conferem largos anos consagrados ao estudo da vegetação da várias regiões de Portugal, mantendo, em colaboração com a sua mulher, Quitéria Pinto da Silva, a revista “Agronomia Lusitana”, que tanto tem contribuído também para o conhecimento florístico do País.


Por iniciativa do ilustre professor Pinto Lopes que completou, como eu e tantos outros, os seus estudos na velha e sempre renovada Sorbone, ficou gravada num tosco bloco de granito mais esta memória. O embaixador de França fez-se representar pelo conselheiro cultural da embaixada, Jacques Verclytte, e presidiu a singela cerimônia o jovem e prestigioso reitor da Universidade de Lisboa, Raul Rosado Fernandes, amigo desde que, me visitou e acertamos agulhas sobre a vida científica e universitária. Uma vez mais, Portugal e França, tão ligados por profundas afinidades do espírito, se encontraram no terreno fecundo da Ciência, patrimônio comum dos estudiosos de qualquer parte do Mundo.

Orlando Ribeiro. Diário de Noticias, Lisboa, 8 de Julho de 1980.

- - 06.11.2006 | 0 réactions | #link | rss

Alguns anos depois un grande melhoramento viria completar o ensino daquela Escola Politécnica: foi a criação do Jardim Botânico, devido a iniciativa de João de Andrade Corvo e do conde de Ficalho. O local onde vemos o valioso e útil jardim ainda em 1873 era terreno inculto, apesar disso, quatro anos depois de lançada a iniciativa já floresciam na terra prometedora mais de dez mil árvores. O maior número desses exemplares veio da Ajuda, oriundos das possessões portuguesas, mas em muito contribuíram também o jardim da duquesa de Palmela, o choupal do Dr. José do Canto, na ilha de São Miguel e o das Plantas de Paris.

Para realização desta importante obra de valorização do ensino muito concorreu um avultado donativo do Barão de Almeida Santos e o desvelado carinho do Estado, que não se poupava a esforços para dotar a Escola politécnica de todos os requisitos.

Nesses tempos, não era raro um homem rico abrir a sua bolsa em benefício da comunidade para em troca receber mercês reais: um título honorífico que lhe permitisse sair da obscuridade da sua origem e posição para subir a pouco e pouco os degraus da sociedade. Joaquim Antonio Nunes. Imagens de Lisboa. 1976.

- - 18.10.2006 | 0 réactions | #link | rss

" (...) Dito isto, só podemos ajuntar que os vencidos oferecem o mais alto exemplo moral e social que se pode orgulhar este país. Onze sujeitos que há mais de um ano formam um grupo, sem nunca terem partido a cara uns aos outros; sem se dividirem em pequenos grupos de direita e de esquerda; sem terem durante todo este tempo nomeado entre si um presidente eum secretário perpétuo; sem se haverem dotado com uma denominação oficial de Reais vencidos da vida ou vencidos da vida real ou nacional; sem arranjar estatutos aprovados no governo civil; sem emitirem acções; sem possuírem hinos nem bandeira bordada por um grupo de senhoras «tão anónimas quanto dedicadas»; sem iluminarem no primeiro de Dezembo; sem serem elogiados no DIÁRIO DE NOTÍCIAS -estes homens constituem uma tal maravilha social que certamente para o futuro, na ordem ds coisas morais, se falará dos onze do Bragança como na ordem das coisas heróicas se fala dos doze de Inglaterra. Dissemos." Eça de Queiroz.

 Conde de Sabugosa, Carlos Mayer, Carlos Lobo de Ávila, Oliveira Martins, marquês de Soveral, Guerra Junqueiro e conde de Arnoso; sentados: Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, conde de Ficalho e António Cândido.

 

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