Árvore que os romanos consagraram a Júpiter, e de cuja folhagem se teceram as coroas dos heróis, árvore que ainda na Idade Média era objecto de culto – o carvalho – como os monumentos, as crenças, as religiões, sofreu no decorrer dos séculos os duros acasos do tempo e da fortuna.           Mais infeliz do que Júpiter, o omnipotente Deus mitológico, que com o raio fulminou os filhos de Titão, que acumularam montanhas sobre montanhas para o expulsar de céu; o carvalho não pôde resistir à ameaça da morte da multidão de inimigos que em sua volta surgiram no decorrer dos tempos.         Vítimas da evolução da humanidade, das necessidades sempre crescentes da vida moderna, substituídos por outras essências vindas de distantes países, ou atacados por misteriosas doenças que os levam a prematura decadência, os carvalhos de folha caduca vão a pouco e pouco rareando na flora europeia e perderam, neste momento já, a gloriosa importância de outróra.           E os carvalhos seculares, como as grandes jóias da arquitectura que mãos piedosas de artistas carinhosamente ergueram, pertencem ao passado. Se desaparecerem jamais se substituem, incompatíveis, como são, com o caminhar vertiginoso da hora presente. Joaquim Vieira Natividade. O Carvalho português nas matas do Vimeiro. 1929.