BlogNoBotânico - http://www.monblog.ch/jbotanico O Botânico da Universidade de Lisboa. Vozes, olhares, memoraçoes FutureBlogs/0.8.6 fr <![CDATA[O carvalho (Joaquim Vieira Natividade)]]> Árvore que os romanos consagraram a Júpiter, e de cuja folhagem se teceram as coroas dos heróis, árvore que ainda na Idade Média era objecto de culto – o carvalho – como os monumentos, as crenças, as religiões, sofreu no decorrer dos séculos os duros acasos do tempo e da fortuna.           Mais infeliz do que Júpiter, o omnipotente Deus mitológico, que com o raio fulminou os filhos de Titão, que acumularam montanhas sobre montanhas para o expulsar de céu; o carvalho não pôde resistir à ameaça da morte da multidão de inimigos que em sua volta surgiram no decorrer dos tempos.         Vítimas da evolução da humanidade, das necessidades sempre crescentes da vida moderna, substituídos por outras essências vindas de distantes países, ou atacados por misteriosas doenças que os levam a prematura decadência, os carvalhos de folha caduca vão a pouco e pouco rareando na flora europeia e perderam, neste momento já, a gloriosa importância de outróra.           E os carvalhos seculares, como as grandes jóias da arquitectura que mãos piedosas de artistas carinhosamente ergueram, pertencem ao passado. Se desaparecerem jamais se substituem, incompatíveis, como são, com o caminhar vertiginoso da hora presente. Joaquim Vieira Natividade. O Carvalho português nas matas do Vimeiro. 1929.

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<![CDATA[Salomão e Hirão]]> A Reliquia. Eça.]]> -@nospam.org http://www.monblog.ch/jbotanico/?p=200702051221562 http://www.monblog.ch/jbotanico/?p=200702051221562 http://www.monblog.ch/jbotanico/?p=200702051221562#comments Mon, 05 Feb 2007 10:21:56 GMT <![CDATA[Há sempre alguém que resiste (Flávio Resende)]]> CPC - Há sempre alguém que resiste.

FC - [...] o Flávio Resende, que faria cem anos em 2006? Foi excepcional. E era militantemente optimista, sempre convicto de que se podem melhorar as coisas. Conhecia o Eça de cor e era raro o dia em que não o citava, a propósito do nosso modo caricato de ser, viver e estar. Foi atingido por aquela leva de purgas dos professores universitários que o Salazar fez em 47, e nunca baixou os braços. Muitos dos atingidos tinham, de facto, envolvimentos políticos. Este só tinha liberdade de pensar e dom da palavra, e nunca se levava muito à sério a não ser nas questões morais. Olhe, e tinha uma característica que deve ser mais cultivada: quando havia um artigo que era rejeitado ou uma publicação que era ridícula, ele dizia sempre que, de qualquer forma, era mais trabalho para os outros trabalharem. Ou seja, vivia a ciência como ela deve ser vivida, por acertos e erros.

CPC - O que é que o Professor admira mais nesses homens?

FC - Eram homens cultos. E preocupavam-se com o mal-estar físico dos pobres. Quando o Resende veio para o Jardim Botânico, em 1944, existiam 23 famílias a viver dentro do JB em casas degradadas, em condições miseráveis. Eram técnicos da faculdade que iam trazendo a família. Os jardineiros andavam de roupa remendada, praticamente descalços, de alpergatas rotas, e falavam com ele a medo, de olhos baixos e de chapéu na mão. Ele mandou logo comprar botas para toda a gente. Passados uns meses o encarregado veio queixar-se de que os jardineiros diziam que as botas estavam apertadas. E ele, logo: fantástico! Já são homens! Com melhores condições de vida já eram capazes de exigir, de refilar - isso é um homem. Quando nós vivemos no meio da chafurdice, deixamos de dar por isso.

CPC - Foi um privilégio tê-los conhecido pessoalmente?

FC - Tive a sorte de ter entrado e saído do curso pela mão do Serra e do Resende, e depois pela do Carlos Tavares. [...] O Resende nunca se meteu em política, mas, quando a minha contratação para assistente ficou bloqueada, acabou por ir à PIDE perguntar o que se passava. No meu ficheiro estava uma carta para o jornal "Novidades" a protestar não terem noticiado a recepção que o Papa fez a Nehru, e outra carta que tinha a ver com o meu grupo de católicos progressistas. Não sei o que é que ele fez, mas a situação resolveu-se logo. Fernando Catarino entrevistado por Clara Pinto Correia. 24 Horas, 13 de janeiro de 2007.

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<![CDATA[Património Científico Português]]>

Sessão Pública "Que Políticas para o Património Científico Português?"
Museu de Ciência da Universidade de Lisboa
Auditório do Museu
4 de Fevereiro, 10 h

O património científico português tem sido habitualmente excluído da
legislação geral e das políticas de conservação do património histórico e
cultural. A maioria dos espaços, colecções e arquivos científicos estão
localizados em universidades, politécnicos, antigos liceus e escolas
técnicas, institutos e laboratórios de investigação, hospitais e museus,
geralmente fora da jurisdição das entidades que têm a responsabilidade de
zelar pelo património.
Na ausência de políticas coordenadas de âmbito nacional, a maior parte
destes espaços, colecções e arquivos estão numa situação vulnerável,
sujeitos à arbitrariedade e em risco de perda irremediável.

O que é o património científico? Onde se encontra? Será que o património
existente é importante? Como proteger e promover o património da ciência em
Portugal?

O Museu de Ciência da Universidade de Lisboa pretende iniciar o debate sobre
políticas e estratégias de preservação e de valorização do património
científico português. Para tal, vai organizar uma Sessão Pública subordinada
ao tema, que contará com a presença de inúmeras personalidades das áreas da
ciência, educação e cultura. Durante a Sessão, será apresentado um
documento-base enumerando prioridades e orientações.

Sessão Pública "Que Políticas para o Património Científico Português?"
Museu de Ciência da Universidade de Lisboa
Auditório do Museu
4 de Fevereiro, 10 h

O património científico português tem sido habitualmente excluído da
legislação geral e das políticas de conservação do património histórico e
cultural. A maioria dos espaços, colecções e arquivos científicos estão
localizados em universidades, politécnicos, antigos liceus e escolas
técnicas, institutos e laboratórios de investigação, hospitais e museus,
geralmente fora da jurisdição das entidades que têm a responsabilidade de
zelar pelo património.
Na ausência de políticas coordenadas de âmbito nacional, a maior parte
destes espaços, colecções e arquivos estão numa situação vulnerável,
sujeitos à arbitrariedade e em risco de perda irremediável.

O que é o património científico? Onde se encontra? Será que o património
existente é importante? Como proteger e promover o património da ciência em
Portugal?

O Museu de Ciência da Universidade de Lisboa pretende iniciar o debate sobre
políticas e estratégias de preservação e de valorização do património
científico português. Para tal, vai organizar uma Sessão Pública subordinada
ao tema, que contará com a presença de inúmeras personalidades das áreas da
ciência, educação e cultura. Durante a Sessão, será apresentado um
documento-base enumerando prioridades e orientações.

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<![CDATA[A floresta mágica (Clara Pinto Correia)]]>      No ano lectivo de 1978/79, quando comecei o curso de Biologia, as aulas ainda eram quase todas no Colégio dos Nobres e as praxes eram tão inteligentes quanto hilariantes.  Eu não conhecia ninguém, e os outros caloiros também andavam um bocado perdidos ali pelo portão.  Apareceram dois marmanjos de batas brancas que se apresentaram como assistentes do Prof. Fernando Catarino e nos arrastaram para o Jardim Botânico, lá mesmo para o meio, onde fica o lago grande em que nidificam os patos selvagens.  Nunca tinha entrado naquele santuário estupendo, e todas as árvores me sussuravam histórias novas, visões bravias e distâncias magníficas.  Explicaram-nos o fadário das duas Gingko biloba do Jardim: a fêmea está plantada mesmo em frente ao portão de cima, que dá para a Rua da Escola Politécnica, e o macho junto ao portão de baixo, que dá para o Parque Mayer.  Uma das nossas tarefas de caloiros era esfregar as mãos no tronco da árvore monumental de cima, para depois ir a correr com elas fechadas esfregá-las na árvore de baixo, coisa que  nos disseram que tinha que ser feita todos os dias e todas as tardes para os dois membros do casal separado não morrerem de solidão.  A seguir mandaram-nos mergulhar a todos no lago para recolher amostras do lodo do fundo que estaria a ser estudado por um génio australiano desconfiado de que ali existiam poderes medicinais, tarefa que nos foi explicado ser também da competência dos caloiros.  Do que eu me lembro, sobretudo, é disto -- de estar toda molhada, toda suja, no frio já cortante de fins de Outubro, a resplandecer por dentro de glória e de triunfo, porque, se já estava molhada e suja, então era porque já estava a ser bióloga.  Depois claro que os assistentes eram na realidade uns bacanos do terceiro ano metidos na Associação de Estudantes, chamados João Freitas e João Rôlo, mas a magia tinha começado.  Deste dia feliz às armadilhas de Drosophila que tínhamos que ir soltar dos bambus e esvaziar às seis da manhã durante o quarto ano nas práticas de Ecologia Evolutiva (e que belos charros se fumam nessa idade, ali na madrugada do Jardim, depois de concluído o trabalho!), foi sempre a subir.  Sempre no coração da floresta mágica, onde ficaram guardadas tantas joias bonitas das minhas memórias de estudante.  Clara Pinto Correia

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<![CDATA[Outubro 2006]]> ]]> -@nospam.org http://www.monblog.ch/jbotanico/?p=200701021032190 http://www.monblog.ch/jbotanico/?p=200701021032190 http://www.monblog.ch/jbotanico/?p=200701021032190#comments Tue, 02 Jan 2007 08:32:19 GMT <![CDATA[Adelino Nunes (II)]]> ]]> -@nospam.org http://www.monblog.ch/jbotanico/?p=200701021026547 http://www.monblog.ch/jbotanico/?p=200701021026547 http://www.monblog.ch/jbotanico/?p=200701021026547#comments Tue, 02 Jan 2007 08:26:54 GMT <![CDATA[Jules Daveau (Orlando Ribeiro)]]> [...] Foi por iniciativa do conde de Ficalho que Jules Daveau veio para Portugal onde viveu de 1876 a 1893, com o encargo de organizar o “arboretum” do Jardim Botânico. Precedera-o o alemão Goeze, que apenas esteve ao serviço da Escola Politécnica dois anos: a ele se deve principalmente o arranjo do tabuleiro superior. Jules Daveau aproveitou admiravelmente o declive do terreno, que torna esse Jardim tão atraente. Vivendo numa travessa paralela a rua da Escola Politécnica ai me refugiava, no tempo soalheiro do inverno ou nas sombras espessas do verão, para estudar, enquanto freqüentei o liceu Passos Manuel e as Faculdades  de Letras e Ciências no mesmo bairro. Quando aquela se mudou, atravessava-o para tomar, na Avenida, o autocarro que me deixava perto da Cidade Universitária. […]
As obras de Jules Daveau eram-me familiares desde que, há 50 anos, me senti atraído pela Arrabida, a que havia de dedicar a minha modesta tese de doutoramento. Impressionaram-me, nos seus trabalhos, dois caracteres comuns aos geógrafos: o sentido da paisagem, de que a vegetação é porventura o elemento mais significativo, e o da distribuição. Jules Daveau, ampliando muito algumas contribuições anteriores dos alemães Link e Willkom e do lente de Botânica da Universidade de Coimbra, Julio Henriques, lançou os fundamentos da Geografia da vegetação portuguesa em estudos que não perderam actualidade.
Deu-me no goto encontrar o nome de Suzanne Daveau numa jovem professora de  Universidade de Dakar, participante, como eu, numa das excursões do Congresso Internacional de Geografia que se celebrou em Stockholm em 1960; vim assim a saber que era sobrinha-neta de Jules Daveau mas nada até então a atraira a Portugal: os seus estudos tinham-se desenvolvido no Jura e na Mauritânia. Era, como eu, geógrafa exploradora, encantada com o mundo tropical e formada numa disciplina científica muito afim a minha (os seus mestres foram discípulos dos meus). Muito longe estava de supor que os nossos destinos científicos e humanos se haviam de entrelaçar. Por esta razão, a actual professora de Geografia da Universidade de Lisboa fixou-se em Portugal em 1965, onde já fizera comigo várias excursões, logo começando estudos de Geomorfologia e de Climatologia, aprendendo português para ensinar e redigir parte dos seus trabalhos. Foi em português por tanto que, depois da introdução do professor Pinto Lopes, situando brilhantemente Jules Daveau na linha científica da Escola Politécnica, Suzanne Daveau evocou a vida e as  obras geográficas de um parente que não chegou a conhecer, mas era, numa família de bancários, droguistas e outras profissões da pequena burguesia, a figura de relevo, correndo que o chamara a Portugal o próprio rei, por intermédio da rainha D. Amélia de Bourbon. Esta lenda desfez-se no estudo atento da sua biografia. D. Carlos sentiu-se mais atraído pela Oceanografia e pela Zoologia e teve ao seu serviço um zoólogo suíço, Girard. Vivamente interessado por todas as Ciências Naturais, é provável que tenha contactado com o ilustre botânico: um retrato dele mostra-o com duas condecorações francesas e três portuguesas, que naqueles tempos não se reservavam apenas a políticos e militares, premiando também a munificência régia os que se dedicavam ao progresso da Ciência.
Jules Daveau fez-se por si próprio, depois de estudos elementares, no admirável ambiente do Jardin des Plantes, onde se praticam todos os ramos da História Natural; quando regressou de Portugal foi trabalhar num dos principais centros de estudos botânicos, no famoso Jardim Botânico e herbário da Universidade de Montpellier, sob o impulso do grande Flahault que, mais tarde, lhe dedicou uma notícia necrológica comovida e altamente elogiosa.
A obra botânica de Jules Daveau foi analisada com toda a proficiência pelo Engenheiro A.R. Pinto da Silva, da Estação Agronômica Nacional, com toda a autoridade que lhe conferem largos anos consagrados ao estudo da vegetação da várias regiões de Portugal, mantendo, em colaboração com a sua mulher, Quitéria Pinto da Silva, a revista “Agronomia Lusitana”, que tanto tem contribuído também para o conhecimento florístico do País.


Por iniciativa do ilustre professor Pinto Lopes que completou, como eu e tantos outros, os seus estudos na velha e sempre renovada Sorbone, ficou gravada num tosco bloco de granito mais esta memória. O embaixador de França fez-se representar pelo conselheiro cultural da embaixada, Jacques Verclytte, e presidiu a singela cerimônia o jovem e prestigioso reitor da Universidade de Lisboa, Raul Rosado Fernandes, amigo desde que, me visitou e acertamos agulhas sobre a vida científica e universitária. Uma vez mais, Portugal e França, tão ligados por profundas afinidades do espírito, se encontraram no terreno fecundo da Ciência, patrimônio comum dos estudiosos de qualquer parte do Mundo.

Orlando Ribeiro. Diário de Noticias, Lisboa, 8 de Julho de 1980.

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<![CDATA[Antonio Tabucchi]]> Notte, mare o distanza. L'angelo nero.
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<![CDATA[O patrocinador, o Barão de Almeida Santos.]]> Alguns anos depois un grande melhoramento viria completar o ensino daquela Escola Politécnica: foi a criação do Jardim Botânico, devido a iniciativa de João de Andrade Corvo e do conde de Ficalho. O local onde vemos o valioso e útil jardim ainda em 1873 era terreno inculto, apesar disso, quatro anos depois de lançada a iniciativa já floresciam na terra prometedora mais de dez mil árvores. O maior número desses exemplares veio da Ajuda, oriundos das possessões portuguesas, mas em muito contribuíram também o jardim da duquesa de Palmela, o choupal do Dr. José do Canto, na ilha de São Miguel e o das Plantas de Paris.

Para realização desta importante obra de valorização do ensino muito concorreu um avultado donativo do Barão de Almeida Santos e o desvelado carinho do Estado, que não se poupava a esforços para dotar a Escola politécnica de todos os requisitos.

Nesses tempos, não era raro um homem rico abrir a sua bolsa em benefício da comunidade para em troca receber mercês reais: um título honorífico que lhe permitisse sair da obscuridade da sua origem e posição para subir a pouco e pouco os degraus da sociedade. Joaquim Antonio Nunes. Imagens de Lisboa. 1976.

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